Napoleão Esberard de Macedo Beltrão1, Gleibson Dionízio Cardoso2. (1) Embrapa Algodão, Rua
Osvaldo Cruz, 1143, Centenário, 58107720, Campina Grande, PB. e-mail: nbeltrao@cnpa.embrapa.br,
(2) Embrapa Algodão, Rua Osvaldo Cruz, 1143, Centenário, 58107720, Campina Grande, PB.e-mail:
gleibson@cnpa.embrapa.br
RESUMO
A Índia é o pais que tem a maior área plantada com algodão do mundo, com uma média
superior a 7,5 milhões de hectares por ano, com milhões de pequenos produtores com área, na
maioria, inferior a 5,0ha. Outra singularidade do algodão indiano é que quase a metade da área e
plantada com híbridos polinizados a mão, média de 60 pessoas/dia/ha, que representa o maior
componente do custo de produção. A produtividade é baixa, média de 286kg de fibra/ha, devido a uma
serie de fatores, com destaque para o clima, com secas freqüentes e mais de 70% da área e sem
irrigação, e a forte presença de inseto- pragas, que reduzem em 35% a produtividade das lavouras, em
especial a lagarta das maçãs, Helicoverpa armigera.
INTRODUÇÃO
A Índia é um pais especial, pois com somente 3,287 milhões de km2, vivem cerca de 1,025
bilhão de pessoas, com renda per capita de somente 440 dólares e um PIB de 447,3 bilhões de
dólares, dos quais 26% da agricultura (Almanaque Abril, 2002). Cerca de 22% da área plantada com
algodão no mundo esta na Índia (Vengopala Rao et al., 1994), sendo que mais de 45% desta área é
plantada com híbridos que ocupam milhões de pessoas no processo de polinização que é manual (The
ICAC Recorder, 1997b). Na produção estão envolvidos pequenos produtores com área inferior a 5,0
hectares (The ICAC Recorder, 1997a) e o preço da semente híbrida é dez vezes maior do que a
comum, tendo que ser certificada com elevada pureza genética (Tha ICAC Recorder, 1997c). Neste
trabalho procurou-se reunir informações sobre o algodão na Índia, um dos principais produtores,
exportadores e consumidores do mundo (Bolsa de Mercadorias & Futuros, 1997).
MATERIAL E MÉTODOS
Para a realização deste trabalho, procurou-se reunir informações de diversas fontes, em especial
de alguns documentos publicados pelo ICAC (Comite Consultivo Internacional do Algodão), tais como
The ICAC Recorder (1995, 1997a, 1997b e 1997c), International Cotton Advisory Committee, (1999,
2000 e 2002), Bolsa de Mercadorias & Futuro (1997) e documentos isolados como os de Narayanan
(1993), Venugolala et al. (1994) e Regmi e Roberson (1997).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A cadeia do algodão na Índia é muito importante, empregando milhões de pessoas no campo, na
cultura em si e nas cidades, na indústria de beneficiamento e na industria têxtil. De acordo com Regmi
e Roberson (1997) a cultura do algodão na Índia é bastante diversificada, envolvendo mais de oito
milhões de hectares, mais de uma centena de cultivares e híbridos, em diversos ambientes, desde o
Estado do Punjab no Nordeste do país até o Estado de Tamil Nabu a cerca de 2000km ao sul de
Punjab. A maior parte de área é sem irrigação e as pragas, em especial a lagarta das macas
(Helicoverpa armigera) e a mosca branca (Bemisia tabaci) estão entre as mais importantes,
promovendo reduções significativas no rendimento das culturas (Venugopala et al., 1994).
Predominam os pequenos produtores, com área inferior a 5,0 hectares e os níveis de
produtividades obtidos são baixos, media de 283kg de fibra/ha nas safras de 1989 a 1991, de 300kg de
fibra/ha nas safras de 1993 a 1995 (The ICAC Recorder, 1997a), de 286kg de fibra/ha na mais recente
safra, 2001/2002, de acordo com o International Cotton Advisory Committee, (2002) e com perspectiva
de somente 299kg de fibra/ha na safra de 2002/2003. Na Tabela 1, podem ser vistos dados sobre o
algodão na Índia, comparado ao mundo, USA e Brasil nas safras de 1999, 2000 e 2001, denotando a
imensa área plantada com algodão naquela pais, passando inclusive de exportador para importador de
algodão em pluma, consumindo mais do que a produção. Na Tabela 2, podem ser vistos os dados da
safra 2001/2002 e o que se espera para a safra de 2002/2003, com previsão de importar mais de 500
mil toneladas de algodão em pluma, o que ira colocar a Índia entre os três maiores importadores de
algodão do planeta. A Índia produz algodão de fibra media e também algodão de fibra extra-longa, com
um volume de produção superior a 130.000t de pluma, com cultivares de Gossypium barbadense,
porém o consumo é maior do que a produção (The ICAC Recorder, 1995). A Índia é o segundo
produtor do mundo de algodão extrafino, perdendo somente para o Egito. A produção de algodões
extrafino, no mundo, é muito pequena, representando menos de 3% do total mundial, porém a
qualidade é maior e o preço atingido no mercado também é bem superior aos alcançados pela fibra
média (International Cotton Advosory Committee, 1995).
As cultivares de G. barbadense são fotoperiodicas, tem ciclo maior que as herbáceas de G.
hirsutum, são mais susceptíveis a algumas pragas e produzem cerca de 30% a menos do que as
cultivares de G. hirsutum. As principais cultivares de G. barbadense utilizadas na Índia são a MCU 5 e
a MCU 32, cuja a produção é beneficiada em maquina de rolo. Na Índia também é muito usado híbridos
de algodão (Narayanan 1993 e The ICAC Recorder, 1997b), como os PCHH.31 e o LHH.121 que são
cerca de 30% mais produtivos do que as cultivares comerciais. Das cultivares de híbridos plantados na
Índia, 36% é de G. hirsutum, 1% de G. barbadense, 16% de G. arboreum e 8% de G. herbaceum e as
sementes híbridas valem dez vezes mais do que as de cultivares normais, 300 rupias indianas por quilo
contra somente 30 rupias/kg de sementes de cultivares não híbridas (The ICAC Recorder, 1997c). Os
híbridos são interespecificos (G. hirsutum x G. hirsutum), com 35% da área, F1, G. barbadense x G.
hirsutum, F1, com 5% da área plantada no pais e tem-se também os híbridos, F1, entre G. arboreum x
G. herbaceum, com menos de 1% da área plantada (The ICAC Recorder, 1997b).
CONCLUSÕES
A Índia é na atualidade o pais que tem a maior área plantada com algodão do mundo, mais de oito
milhões de hectares, correspondendo a mais de 22% do total mundial;
A Índia é o pais que mais explora o vigor híbrido (heterose) no algodão, tendo quase a metade da
área plantada com cultivares comerciais híbridas interespecificas e interracias, sendo a polinização
feita a mão, por milhões de trabalhadores rurais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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REGMI, A.; ROBERSON, R.R. Cotton production and use in pakistan and Índia. In: PROCEEDINGS
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VENGOPALA RAO, N.; RAJASEKHAR, P.; VENKATAIAB, M.; RAMA RAO, B. Cotton pest control
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